Maçonaria, O conceito de República e a iconografia revolucionária

MAÇONARIA, O CONCEITO DE REPÚBLICA E A ICONOGRAFIA REVOLUCIONÁRIA
por @Loryel Rocha – Instituto IMUB

Sobre as Origens

A Maçonaria surgiu na Escócia. No final do século XVII e início do século XVIII é que as “inovações” acontecidas nas “corporações de ofício” na Escócia se expandiram para a Inglaterra. Desde o início, os maçons produziram toda uma literatura que objetivava dar LEGITIMIDADE a sua atuação apresentando-a como uma instituição criada em “tempos imemoriais”. Assim, a Maçonaria arvora-se herdeira direta e legítima de Salomão, dos egípcios antigos, dos essênios, dos druidas, de Zoroastro, dos Filósofos gregos, das Tradições Herméticas, da Cabala, dos Templários, da Igreja de Roma, etc.

A Maçonaria surgiu na Escócia. No final do século XVII e início do século XVIII é que as “inovações” acontecidas nas “corporações de ofício” na Escócia se expandiram para a Inglaterra. Desde o início, os maçons produziram toda uma literatura que objetivava dar legitimidade a sua atuação apresentando-a como uma instituição criada em “tempos imemoriais”. Assim, a Maçonaria arvora-se herdeira direta e legítima de Salomão, dos egípcios antigos, dos essênios, dos druidas, de Zoroastro, dos Filósofos gregos, das Tradições Herméticas, da Cabala, dos Templários, da Igreja de Roma, etc.

Tais “origens” (século XVII-XVIII) emanadas de tão distintas culturas e religiões põe, logo em cena, o caráter de Tradição Primordial da Maçonaria, conceito muito próximo ao que Réné Guénón usará no século XX, mas que o antecede em quase 200 anos. Portanto, Réné Guénón não é o criador do conceito de uma Tradição Primordial como tem sido dito a farta e a barão no Brasil.

A questão das “origens” traz alguns cenários mínimos que devem ser considerados:
1) a Maçonaria surge como uma instituição cosmopolita, acima do tempo/espaço das culturas e das religiões (Reveladas e Pagãs);
2) propõe-se como anterior as 3 religiões Reveladas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo);
3) assume-se como o repositório das Religiões de Mistério e das culturas pagãs;
4) lança um “novo conceito” de Religião Universal e de esoterismo;
5) transmite a crença que símbolos migram;
6) buscar legitimar e reforçar a existência de rituais e símbolos em comum entre todas as religiões Reveladas ou Pagãs;
7) atua em 2 dimensões: a do discurso ou da simbólica e a da organização; 8) caracteriza-se como um macrocosmo intelectual;
9) é marcadamente empenhada em mudar e aprimorar a evolução e o comportamento do homens em sociedade propondo uma Revolução Moral, Intelectual, Espiritual e Sócio-Cultural com vistas a criar um Novo Mundo.

De forma específica e, a uma análise atenta, a multiplicidade das “origens” invocadas ilustram que a busca pela legitimidade traz um contrassenso inerente à proposta. SE, de fato, tal instituição realmente existisse desde “tempos imemoriais” e, de modo tão basilar em várias culturas e religiões, por quê, sua necessidade de legitimação e aparição pública somente no século XVII-XVIII?

Assim, não se trata de eliminar, de rebater o que há de lendário ou fantasioso ou mítico nestas narrativas construídas pela Maçonaria. Trata-se, antes de tudo e, sobretudo, de procurar entender — sob a perspectiva filosófica- a questão por que esta instituição constrói e busca legitimar para si tais Tradições .

A busca pelo Entendimento da questão é muito mais importante que a sede de respostas. As investigações à sério sobre a Maçonaria deveriam ser capazes não de responder as perguntas mas de entender as questões levantadas nos 9 pontos mínimos que elenquei acima. Este é o desafio proposto pelo historiador espanhol José Ferrer Benimelli nas suas várias obras, cito especificamente, Masoneria, Iglesia e Ilustración: un conflito ideológico-politico-religioso (1977).

Em 1822, o Brasil foi entregue nas mãos da Maçonaria por José Bonifácio e D. Pedro I, como parte integrante do projeto revolucionário de construir a REPÚBLICA MAÇÔNICA UNIVERSAL.

Sobre o Governo Mundial da República Maçônica Universal

Conforme dito acima, a Maçonaria é uma sociedade secreta revolucionária de caráter cosmopolita.
A Maçonaria em 1717 nasce imbuída da seguinte missão:
a) derrubar as monarquias européias;
b) destruir a Igreja de Roma;
c) implantar a República Maçônica Universal.

Não é matéria dispicienda que depois do nascimento da Maçonaria em 1717, explode mundo a fora uma série de movimentos revolucionários interligados filosófica, simbólica, política, econômica, ideológica e estrategicamente todos visando precisamente a concretização da missão trina advogada pela Maçonaria. Concerne considerar o significado e os desdobramentos relativos a missão de derrubar as monarquias européias e destruir a Igreja de Roma: implicava tal projeto na destruição do modelo de mundo e da cosmovisão que caracterizava o que naquela altura se configurava como sendo a cultura ocidental e cristã, qual seja, o modelo de “Europa” sustentado pela ligação entre o Trono e o Altar. Oras, uma vez derrubadas as ligações existentes entre as monarquias e a Igreja, por extensão direita, desaparecia o modelo de cultura ocidental e cristã, dado que a queda de um braço (monarquia) implicava na queda do outro braço (Igreja) e, por tabela, deitava-se fora o núcleo do que caracteriza o que chamamos — sem atentar para o fato — de cultura ocidental e cristã:
1) a filosofia grega;
2) a ordem e o direito romano;
3) a igreja cristã, segundo explica Fernando Pessoa. Pessoa nomina os condutores deste projeto como o “Grupo do 300” e o projeto em si como sendo a “Conspiração dos 300”.

Fig 1. Notas Sobre a Conspiração dos 300 de Fernando Pessoa. Loryel Rocha. Instituto Mukharajj Edições, 2017.

Desta feita, o projeto da Maçonaria estava longe de ser “ingênuo” ou “inócuo” como muitos supõem e guindam defender. A missão Maçônica simplesmente propunha destruir o mundo então conhecido (cultura ocidental e cristã) para o recriar novamente sob novas bases, segundo a “orientação” Maçônica, um mundo de cariz “multicultural”. Tal “novo mundo” abriria uma “nova era” planetária e esse Governo Mundial recebe o nome de República Maçônica Universal. Trata-se portanto, do que hoje se chama de “Nova Ordem Mundial”.

Tal projeto tem, precisamente, 301 anos e pode-se verificar com absoluta credibilidade que suas linhas mestras foram muito bem sucedidas: a relação entre o Trono e o Altar não mais existe, criou-se o Estado laico (uma demanda maçônica), o mundo foi mergulhado numa sequência de movimentos revolucionários incessantes, as culturas foram dominadas por um materialismo histórico e dialético, os sistemas políticos foram infectados pelo pensamento liberal-maçônico, construiu-se um arcabouço legal e comercial supranacional e o desenho de um Governo Global está plenamente estabelecido. Ou seja, o mundo “antigo” cedeu lugar ao mundo “novo” de cariz maçônico-liberal.

Sobre A Palavra República

A derrubada da ligação entre o Trono e o Altar implantou mundo afora regimes ditos “Republicanos” imagem e semelhança não da “República” do Império Romano, mas, sim, da República Maçônica Universal.

Portanto, a palavra e o regime “República” que hoje conhecemos muito embora digam que é originária como modelo de governo do Império Romano, trata-se na verdade, do modelo cosmopolita de governação da Maçonaria para implantar o Governo Mundial. “República” é uma forma de governo que foi implantada depois da Independência Americana tendo como grande marco a Revolução Francesa. No caso do Brasil, a Coroa Portuguesa tinha como modo de governo a República cujo sistema administrativo existia desde o início da nacionalidade portuguesa. Quanto a isso, dei uma palestra em Curitiba no I Fórum Federalista Nacional [1] em Outubro aonde mostrei como funcionava a Coroa Portuguesa traçando as diferenças com o Império e a “República” maçônicos. Assim, a palavra “República”, como hoje conhecemos na acepção correta do termo refere-se à República Maçônica Universal configurando o Governo Mundial da “nova era” planetária. A Maçonaria é a mãe do socialismo, do liberalismo e de todos os esquerdismos e autocracias surgidos depois de 1717. Não sem razão, a Igreja Católica emitiu 20 Bulas Papais contra a Maçonaria e raras contra o comunismo, dado que a primeira é a mãe do segundo.

A Iconografia Revolucionária

Um breve estudo da iconografia revolucionária de cariz maçônico revela um léxico simbólico em comum configurando um projeto em escala e aplicação internacional. É a primeira vez na história da humanidade que uma sociedade secreta assume-se com cariz cosmopolita, dotada de regras e um léxico simbólico igualmente cosmopolitas. Oras, dentro do campo da simbólica é consabido que os símbolos não migram, pois, estão inseridos dentro de textos e contextos específicos. Por conseguinte, esse “simples” detalhe, por si só, deveria merecer atenção e acurados estudos. A Maçonaria ao invocar “origens” emanadas de tão distintas culturas e religiões, ao inaugurar um vocabulário e símbolos “universais”, põe logo em cena seu caráter de Tradição Primordial. Portanto, a Maçonaria assume-se como Divina e como sendo a representante de Deus na Terra, no sentido lato e extenso do termo. A Maçonaria outorga para si a entidade que funde os poderes temporais e espirituais. A gravidade de tal “propositura” fica patente para quem se divisa a estudar as reais implicações e significados desta auto-investidura.

Anexo, para clareza de questão, segue abaixo iconografias contendo alguns dos símbolos “universais” relativos ao projeto da implantação da República Maçônica Universal.

Fig. 2- Anjo Custódio do Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Entidade tutelar protetora de Portugal e do Brasil durante a Coroa Portuguesa. Quando aconteceu o golpe da Independência do Brasil em 1822 o Anjo Custódio foi substituído por uma imagem maçônica chamada Victória da Legitimidade(Fig.3 ).
Fig. 2b- Anjo Custódio do Reino de Portugal
Fig. 3- Victória da Legitimidade. Maurício José do Carmo Sendim (1786–1870). Esta imagem mostra exatamente isso: a Maçonaria vencendo a Coroa Portuguesa. Na imagem em apreço, a figura feminina Victória da Legitimidade (um ser alado, um falso anjo) pisa triunfante e alegre sobre o corpo de um Anjo caído, o Anjo Custódio do Reino Unido. Observe que atrás da Victória uma mulher de costas segura um barrete frígio ( Fig. 4), chapéu jacobino característico de Marianne (Fig. 5), símbolo feminino da República Maçônica Universal.
Fig. 4- Outra imagem de uma Victória, a Victória da Liberdade. Trata-se de um ser alado feminino que ao desavisado pode parecer um Anjo. Concerne lembrar que na iconografia cristã a existência de Anjas é caso raríssimo. Victória é uma criatura pagã, nada tem a ver, portanto, com a mensagem cristã, muito embora a Maçonaria tenha usado-a de modo deliberado e proposital para confundir o leigo, uma vez que essa sociedade arvora-se como “cristã”, ao mesmo tempo que se propõe a combater o cristianismo. Victória está com roupa de guerra, empunhando uma espada e com o barrete frígio jacobino maçon.
Fig. 5- Barrete Frígio
Fig. 6- Marianne (ou A República) com barrete frígio, o triângulo maçônico e os dísticos da República Maçônica Universal: Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou a Morte.
Fig. 7- Marianne. É a alegoria da Victória metamorfoseada (sem asas) mas mantendo outros atributos tal como o barrete frígio e a espada (que ora aparece, ora não). Marianne foi a alegoria usada na Revolução Francesa, e não só, portanto, antes da Independência do Brasil. Marianne por vezes aparecerá com os seios descobertos, ou cobertos, com asas ou sem, e às vezes iluminada por trás com luz radiante (lembrando a luz do “G” ou da “ESTRELA” radiante da maçonaria, a mesma “ESTRELA” que o comunismo tempos depois usará como símbolo).
Fig.8- Marianne com barrete frígio na nota do Brasil.
Fig. 9- Mariannes, as Repúblicas do Brasil e Argentina selando o “pacto” maçônico pouco depois de 1 mês da declaração da República. Note-se que as mãos que se cumprimentam o fazem tendo o barrete frígio como coluna do compromisso. Poucos sabem que o “modelo” de República adotado no Brasil baseou-se no modelo da Argentina e não dos EUA como mentirosamente se propaga.
Fig. 10- Alegoria da Marianne/República do Brasil, de Décio Villares, com o barrete frígio em verde e não vermelho.
Fig. 11- Mariane ou a República Portuguesa com os seios desnudos
Fig. 12– Outro exemplo da Vitoria da Liberdade/Legitimidade, consignando a estátua da “Mãe Pátria” no Mamayev Kurgan, a “Rodina” russa. A palavra “pátria” passou a ser usada já no período do Império do Brasil e definitivamente assentou-se a partir da República. A palavra “pátria” e “patriota” são de fundo carbonário, portanto, esta palavra significa o que há de pior na concepção de um Estado. “Patriota” era o carbonário, sociedade secreta que, entre outras atividades, praticava assassinatos, e focada na “guerra”, a quarta coluna dos 4 dísticos maçons: a MORTE
Fig. 13- A Mãe Pátria do Império (e da República).
Fig. 14- O Cristo maçônico. Tal recurso simbólico, que objetiva dar “legitimidade” às “origens” da Maçonaria lança mão da migração, perversão e apropriação dos símbolos religiosos pela Maçonaria. Sob essa perspectiva a Maçonaria não é apenas “cristã”, assume-se com a Mãe da Igreja Católica, donde esta procede.
Fig. 15. Alfaia do cristianismo ortodoxo (veja a imagem a seguir).
Fig. 16- Freemasonry and Victorian Hermetic Orders. Note-se a semelhança desta com a Fig. 15. Tal recurso, que objetiva dar “legitimidade” às “origens” da Maçonaria lança mão da migração, perversão e apropriação dos símbolos religiosos cristãos pela Maçonaria.
Fig. 17- Constituição Maçônica de José Bonifácio
Fig. 18- Avental Maçônico de D. Pedro I

[1] I Fórum Federalista Nacional. Link para a palestra de Loryel Rocha: https://www.youtube.com/watch?v=4rCXJrP7sfI&t=3778s